Quem
poderia imaginar , anos atrás, que a simples ação
de uma embarcação pegar água em um continente
e descarregá-la em outros pudesse ocasionar tantos
danos ao meio ambiente, como estão acontecendo atualmente?
A origem e intensidade do problema estão no fato da
marinha mercante ter adotado a água do mar para dar
peso e manter a estabilidade dos navios. Durante muitos séculos
eram usadas pedras colocadas no fundo dos porões dos
navios, como lastro. Atualmente os navios utilizam, como lastro,
a água do mar com a vantagem de carregar e descarregar
rapidamente, além da economia.
Basta lembrar que 80% de todo o transporte de mercadorias
no mundo é feito por navios que sempre estão
carregando em um porto e descarregando em outro e enquanto
descem as cargas carregam de água os compartimentos
de lastro levando junto, desde pequenos invertebrados marinhos,
a bactérias como o do cólera e outros elementos
que serão lançados em um ponto qualquer do planeta.
O
Ministério do Meio Ambiente estima que todos os dias
cerca de 7 mil espécies viajam pelo mundo de carona
nessa água. Nesses percursos cerca de 10 bilhões
de toneladas de água de lastro e seus microorganismos
circulam ao redor do planeta. Baseando-se no volume de exportações
marítimas, estima-se que 40 milhões de toneladas
de água de lastro são deslastradas atualmente
nos portos brasileiros.
Um exemplo gritante desta invasão é o caso do
mexilhão dourado cientificamente conhecido como Limnoperna
fortunei (Bivalvia Mitylidae), que chegou ao Brasil há
cinco anos e instalou-se no Lago do Guaíba (RS). Originário
do sudeste asiático veio na água de lastro e
provoca danos por onde passa: no Sul, a espécie rasga
as redes dos pescadores; na Usina de Itaipu, no Paraná,
o mexilhão “grudou” nas turbinas e invadiu
filtros da hidrelétrica; no Pantanal está interferindo
na reprodução de espécies nativas. Há
também estragos provocados pela sua passagem no Canal
de Tamengo, de ligação entre Bolívia
e Brasil podendo ser considerado presente naquele país.
No Brasil o “bivalve” já pode ser considerado
presente em toda a área do Pantanal e tende a se espalhar
pela planície levado pelas inundações
anuais. O caso vem sendo estudado pela pesquisadora Marcia
Divina de Oliveira, da Embrapa Pantanal da área de
liminologia e por Luciano Fernandes de Barros, biólogo
e bolsista do Programa PELD/CNPq.
“O transporte entre países distantes pode provocar
a homogeneização da flora e da fauna, o que
compromete a biodiversidade , o meio ambiente e a saúde
humana”, dizem.
Além do impacto ambiental, a água de lastro
pode causar problemas à saúde humana. De acordo
com a área de Portos, Aeroportos e Fronteiras da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a
Água de Lastro é um dos componentes da vigilância
ambiental em saúde para o controle do cólera
em áreas portuárias. Estudos realizados em parceria
com a Universidade de São Paulo e financiada pela Organização
Pan-Americana de Saúde, em 2000, em nove portos colheram
99 amostras em 90 embarcações. Em sete amostras
foram identificados traços da bactéria do cólera.
Destas, duas eram patogênicas, ou seja, tinham potencial
para desencadear uma epidemia.
O problema vem sendo estudado também no Comitê
de Proteção do Ambiente Marinho da Organização
Marítima Internacional (OMI), ligada às Nações
Unidas. Os países deverão se comprometer com
medidas de controle das espécies exóticas e
o tratamento da água de lastro.
Entre os invasores que podem provocar danos ambientais estão:
O Mexilhão Dourado originário do Sudeste Asiático
e que chegou ao Brasil há cinco anos e se instalou
no Lago Guaíba (RS) A espécie rasga as redes
dos pescadores e invadiu filtros da Usina de Itaipu, no Paraná;
no Pantanal está interferindo na reprodução
de espécies nativas.
Carambola do Mar é uma espécie de água
–viva do Brasil que está provocando danos no
Mar Negro. Estudos indicam que ela foi levada na década
de 80 da Costa Brasileira, por navios petroleiros; a invasão
diminuiu a densidade de peixes na região e causou perda
significativa na atividade pesqueira.
Mexilhão Europeu uma espécie que foi encontrada
em rios navegáveis dos Estados Unidos, que foi obrigado
a gastar 1 bilhão de dólares para controlar
a infestação.
Alga é uma espécie exótica tão
agressiva que chegou na Austrália e expulsou as comunidades
nativas.
Cólera que pode atingir a saúde humana com a
contaminação de áreas portuárias,
o que tem exigido uma atenção maior em todos
os portos do mundo para evitar a doença.
( Fonte: Revista HidroNews-no.6- 2005- HidroAll
do Brasil Ltda. )
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